Com todo cuidado do mundo, pé por pé. Foi assim que a paz chegou para mim: um belo dia me olhou, cutucou meu ombro, tentou entrar pelas pupilas. Tão calma.
Tão densa! Mas leve. Foi assim que a alegria voltou a morar aqui.
Nunca fui princesa de castelo de pedras. Alguns derreteram.
Construí tanta coisa com essas pessoas que vão chegando e, da mesma forma, partindo. Algumas delas eu deixei ali, no meu jardim. Jardim bonito, sabe? De encher os olhos e o coração. Tem corpos por todos os cantos. Tem flor por toda terra e, quando chove, vem aquele cheiro bom de infância na rede de casa onde eu via o céu desaguar ao entardecer enquanto me embalava pra lá e pra cá numa rede. Era frio. Um frio gostoso e externo. Demorou muito pra que a primavera fizesse morada no meu coração coberto de gelo, que agora é quente de novo. Livrei-me das armaduras, joguei tudo pro alto e respirei. A vida tá bonita pra se viver numa redoma. O ar que a bolha me tirava agora é fresco de novo. E eu respiro. Eu suspiro. E eu vivo assim, aliviada. As minhas mãos estão abertas pra receber o que tens guardado para mim.
3 comentários:
Gostoso é ler e respirar esperança. Nenhuma paz é construída em calmaria. A vida é ironica, nos maltrata pra nos educar. Nos ensina a nunca perder a capacidade de amar.
Texto lindo, Parabéns!
A mais bonita das liberdades. Amém para tudo que já é e para tudo que há de vir.
Você é linda quando apaixonada... Fica inspirada e viva.
Amor, olhos brilhantes e leveza, que permaneça!
Desejo enxerga-te tão mais bela por muuuito tempo!
Beijos e muitos abraços, saudade que só!
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